Sexo Nada Frágil

São Tomás de Aquino definiu a mulher como um “homem defeituoso”. Isto mostra que os “santos” eram humanos e também erravam. A afirmação de Tomás de Aquino é preconceituosa, pois toma o gênero masculino como modelo ou referência e, a partir daí, o que for igual é considerado sem defeito e o que for diferente é defeituoso. Como naquele tempo a cultura machista imperava, (como ainda hoje), é natural que ele também estivesse impregnado dessa ideologia.

Ao pensarmos as causas dessa ideologia, podemos compreender as razões dela. O machismo tem por fim proteger o gênero masculino, tamponando verdades e constatações ameaçadoras. Essas constatações podem derrubar o mito de que o homem é o sexo forte, construído e mantido ao longo dos séculos.

Sabemos que o homem e a mulher são diferentes, porém complementares como espécie. Não se pode afirmar que um é melhor do que o outro. Se se complementam é porque não são auto-suficientes ou perfeitos em si. Só serão perfeitos como espécie, juntos.

George Romances falava das “diferenças no tamanho do crânio como fundamento para a supervalorização intelectual masculina”, o que Paul Hobins esclarecia, dizendo que “a incapacidade mental da mulher era uma condição necessária para a sobrevivência da espécie humana”.

Georges Romances e Paul Hobins também assumem posturas machistas e preconceituosas, porque tanto o homem quanto a mulher não nascem com apenas um hemisfério cerebral. Ambos são providos de cérebros constituídos por dois hemisférios. O homem exercita mais o hemisfério racional e a mulher o emocional. Não há incapacidade de um ou de outro. O homem desenvolve mais a racionalidade e a mulher a emotividade.

Podemos também, promover em contrapartida, a supervalorização da mulher. E os argumentos para isso são vitais: se a humanidade prescindisse da capacidade e habilidade da mulher-mãe de regredir na relação com o bebê para ajudá-lo a se constituir ser, de forma sadia, essa criatura frágil não sobreviveria. Isto já foi comprovado ao longo da história. Sem alguém que desempenhe a função mãe, o bebê morre, mesmo que as suas necessidades fisiológicas sejam completamente supridas. (Vide texto no link “Outras Fontes” A Magia do Toque).

Na clínica me deparo com certa freqüência, com pessoas com problemas psicossexuais. A maioria absoluta dessas pessoas pouco conhece ou sabe sobre sexualidade masculina e feminina. Essa falta de conhecimento e informação produz, por conseqüência, problemas no relacionamento sexual. Em debates sobre o tema nos programas de televisão, é comum observarmos que tanto médicos quanto psicólogos e psicanalistas falam muito sobre sexualidade, mas não tocam nas questões relevantes e essenciais. São abordagens dominadas talvez pelo machismo, com omissão de informações.

A grande questão é: qual é de fato o sexo frágil? Se você pensa que é a mulher, está enganado ou está se enganando. A fragilidade feminina nada tem a ver com a sexualidade feminina. No campo da sexualidade, a mulher é comprovadamente o sexo forte.

O consenso social a esse respeito é oposto. Lembro-me que, no curso de pós-graduação em Psicologia Médica, da UFMG, num grupo constituído por profissionais médicos, psicólogos e psicanalistas _ depois de um estudo de caso que envolvia questões sexuais, fiz essa pergunta; “Qual é, de fato, o sexo frágil?”. Para minha surpresa, ninguém se manifestou. Deduzi que havia tocado numa questão delicada, que envolvia preconceitos e desinformação, porque ninguém daquele grupo de profissionais da área da saúde se arriscou a se expor. Confesso que gostaria muito que alguém aceitasse a provocação, porque assim teríamos tido a chance de discutirmos aspectos polêmicos e interessantes sobre o tema, mas, tal não aconteceu

Provavelmente o leitor(a) também deve estar curioso(a). Para validar a minha tese, necessário se torna separarmos os conceitos. O homem é fisicamente mais forte do que a mulher, mas, sexualmente falando, a mulher é mais forte do que o homem. Por quais razões?

A capacidade orgásmica feminina é incomparavelmente maior do que do homem. É do conhecimento geral que a curva de excitação e ‘desexcitação’ de ambos, são diferentes. Enquanto o homem excita-se muito rápido, quase que instantaneamente; a mulher leva um tempo maior para atingir o patamar mais elevado da sua curva de excitação. O mesmo acontece na curva de desexcitação de ambos. A diferença mais importante, ocorre quando ambos atingem o patamar de excitação. Quando o homem obtém o orgasmo, perde a ereção se ‘desexcita’ e relaxa. As mulheres ao contrário, obtém o seu orgasmo e se mantém excitada por muito mais tempo. Ao final da relação, a curva de ‘desexcitação’ para o homem, declina tão rápido quanto subiu, e a mulher vai se ‘desexcitando’ lentamente, no mesmo tempo que levou para se excitar. Muito antes que a mulher relaxe, o homem já se virou e dormiu.

A grande performance feminina começa onde termina o orgasmo masculino. Quando a mulher atinge a curva máxima de excitação, ela pode obter um, dois, três,quatro, cinco e até vinte orgasmos consecutivos, desde que seu parceiro tenha ereção para tanto. Para a mulher o primeiro orgasmo é bom, o segundo é melhor, o terceiro mais prazeroso ainda, e assim por diante.

Quanto o homem, este depois do primeiro orgasmo, demandará certo tempo para recuperar a excitação e ereção. Porém, se ele conseguir, em situações excepcionais, manter a ereção por mais tempo, terá um fantástico primeiro orgasmo; o segundo já não será lá essas coisas e o terceiro vai mais por honra da firma, (se ele conseguir)! É necessário ressalvar que há homens (poucos) que por conhecimento, por treino e até por características pessoais, conseguem manter a ereção por mais tempo, antes do seu orgasmo. Isso permite à sua parceira, atingir três, quatro, cinco ou mais orgasmos consecutivos antes que se permitam à dois, chegarem ao clímax. Mas isto é raridade!

Uma jornalista americana, depois de cinco anos de casada sem saber o que era o orgasmo, resolveu se auto-estimular até obter seu primeiro. Depois de realizado esse objetivo, resolveu descobrir os seus limites e chegou a atingir vinte e cinco orgasmos consecutivos. Toda mulher fisicamente sadia pode obter esse mesmo desempenho. Para obter dois ou três em seguida, elas nem precisam treinar. A nossa sorte (dos homens) é que as mulheres não estão preocupadas com quantidade. Elas preferem qualidade.

Mas não nos iludamos. O machismo está em declínio. Atualmente as mulheres já são maioria nas faculdades e nos postos de trabalho, apesar de terem remuneração equivalente a 40% dos homens para exercerem as mesmas atividades (fonte IBGE).

Podemos constatar que campo da sexualidade, a mulher é disparadamente, o sexo forte.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

2 ideias sobre “Sexo Nada Frágil

  1. Muito pertinente e muito elucidativo esses esclarecimentos.
    Creio que a maioria dos homes e mulheres, desconhecem essas informações.
    Mas parece que a coisa é ainda um tabú ate para os profissionais da área médica e psicológica.

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