O que temos feito pela cidadania?

Atualmente, quando se fala em cidadania, fica parecendo que cidadania é uma fruta que dá numa árvore silvestre. Basta ir até lá e colhê-la.

A coisa não é bem assim. Cidadania é um processo. Ninguém nasce geneticamente programado para ser cidadão. Se não plantar e cuidar, não se colhe. Se não educar…

O regime militar implantado no Brasil em 64, provocou uma reação nos formadores de opinião, e isto redundou uma mudança pontual e radical no ensino de Moral e Cívica. A disciplina foi menosprezada e varrida dos currículos escolares e passou erroneamente a ser vista como uma ideologia do regime.

Hoje quando se fala em cidadania, não se tem consciência do que isto significa.

Como formar cidadãos sem se disseminar as noções de cidadania?

Como colher sem plantar?

Cidadania, hoje, é um enorme vácuo entre a fala e a realidade. As instituições e pessoas que ocupam posições de liderança política e social sabem da importância e querem que o povo seja cidadão. Mas como colher sem plantar?

As escolas antigamente preservavam atividades voltadas ao desenvolvimento do conceito e do exercício da cidadania tais como:

  • Aulas regulares de Moral e Civismo;
  • Comemorações, com participação dos alunos de Ensino Fundamental e Médio em desfiles, nas datas cívicas.

Por décadas, tudo isso ficou proibido. As escolas de todos os níveis abdicaram dessa função de fomentadoras e incubadoras da noção e conceito de cidadania e se limitaram apenas a falar sobre o tema. Daí cidadania virou um vazio.

Todos acham (incluindo as autoridades) que moral e civismo deveria fazer parte dos currículos escolares, mas isso apenas em tese. Na prática, quase nada foi feito.

Essas mudanças não geram custos adicionais, pois a estrutura escolar básica, o seu sistema de transporte e o corpo docente já estão implantados e em pleno funcionamento. Os custos adicionais seriam iguais a zero e os ganhos, incomensuráveis!

O prefeito da maior cidade brasileira, Gilberto Kassab, baixou um decreto municipal, tornando obrigatório em todas as escolas do município de São Paulo, o ensino de Moral e Civismo.

É necessário e urgente que pessoas que ocupam cargos com poder de promover mudanças atuem se espelhando no exemplo do Prefeito Kassab, fazendo com que noções de cidadania e civismo voltem a fazer parte dos currículos escolares.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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