O Não e a Troca

No texto “A Magia do Não” afirmo que quando dizemos sim, dizemos também um não. Resta saber para quem dizemos sim e para quem dizemos o não. Na maioria das vezes, quando dizemos sim para alguém, estaremos dizendo não para nós mesmos.

Essa tendência de sempre dizer sim para as pessoas, pode se constituir num problema que mais cedo ou mais tarde, trará prejuízos para ambos os lados. Qual lado será mais prejudicado? Indubitavelmente será o que tem a tendência de repetir o comportamento de dizer sim para os outros. Tantas vezes ele dirá sim para os outros, quantas dirá não para si.

Só se age assim, quando não se tem consciência das conseqüências desse comportamento. Quando se tem essa limitação, as relações se deterioram, a auto-estima da pessoa fica baixa, a pessoa se torna praticamente refém do outro e o que é pior: esse comportamento impede que as relações possam se manter sadias através da troca.

No campo do relacionamento podemos afirmar que quando um lado ganha, os dois perdem; quando um lado perde, ambos perdem. Isso é comprovável, e contrapõe à “Lei de Gerson” (aquela do levar vantagem em tudo). Infelizmente há pessoas que se orientam por esse princípio, sem se dar conta de que esse processo é antiético, injusto e impossível de ser “perenizado”. Nos relacionamentos, quando um lado ganha, os dois perdem; quando um lado perde, ambos perdem. Somente quando há troca, ambos os lados ganham.

Como sabemos que uma relação é sadia? Quando o princípio da troca permeia o relacionamento. Para isso, é necessário saber dizer sim e não. Todo relacionamento seja entre pais e filhos; patrão e empregado; namorado e namorada; marido e mulher; amigo e amigo; médico e paciente; psicólogo e cliente, deve ser orientado sempre, no sentido da troca. Quando um lado perde a relação vira um jogo porque para alguém ganhar, o outro tem que perder.

Para que a relação seja preservada e ética há que haver a troca. No exercício da troca, ambos os lados ganham. Quando um domina e o outro é dominado, quando um manda e outro obedece, quando um lado impõe e o outro sempre cede, essas relações se configuram sempre relações de poder. O exercício da troca, harmoniza as relações. Todos os relacionamentos devem estar sempre orientados no sentido da troca. No amor a relação é de troca. Quem se orienta pelo princípio da troca, ama a si e ao próximo. Essa é também a essência da filosofia contida nos evangelhos.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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