Importância da Relação Mãe/bebê para a saúde física e mental da criança e do adulto

O que acontece se a criança na primeira infância não recebe as expressões de carinho e cuidados maternos?

A saúde da criança ficará comprometida de forma grave e em casos extremos, produzindo sua morte.

Os textos pediátricos relatam um experimento trágico do Rei Frederico I da Prússia, que desejando ter gente forte, ordenou que as crianças de uma creche recebessem bons alimentos mas nenhuma carícia, e todas as crianças morreram.

O investigador contemporâneo R. A. Spitz (13, 14, 15), publicou uma série de importantes artigos a respeito dos resultados desastrosos que se obtiveram com o cuidado estrito e “esterilizado” das crianças nas instituições, separando-as de suas mães e tocando-as somente quando o exigiam os cuidados de rotina.

O citado autor havia presenciado e filmado a morte de trinta e quatro bebês em uma creche, que receberam a satisfação de todas suas necessidades físicas, exceto suas necessidades de carícias. A vitalidade destas crianças decaiu de forma visível após três meses de separação de seus pais. Vinte e sete crianças morreram antes de haver alcançado um ano de idade, sete em seu segundo ano. As vinte e uma crianças que sobreviveram, todas ficaram com graves deficiências físicas e mentais.

Em uma observação rigorosamente controlada sobre duzentas crianças, que tiveram uma relação mãe/bebê pobre, o mesmo autor encontrou apatia, pasmaceira seguida de morte em 37,5%. Outros casos mostraram uma grande depressão, uma desnutrição que levava a um desenvolvimento retardado.

Outra investigadora neste campo, Margarethe A. Ribble (16), indica que as crianças que não tenham recebido o trato maternal podem apresentar dois aspectos diferentes. Algumas delas se comportam de um modo negativo: negando-se a tomar o alimento, retendo a urina, as fezes e chorando com insistência e ainda com uma retenção prolongada de sua respiração. Apesar da boa alimentação se desnutrem de forma progressiva. Outras crianças parecem haver abandonado a luta, mostrando-se deprimidos, letárgicos lentos e muito débeis, com irregularidades na respiração e funcionamento digestivo deficiente, piorando até entrar num estado de colapso que precede a morte.

Os psiquiatras Mahler (17) e Bellack (18) indica que a insatisfação das necessidades de tratamento maternal carinhoso predispõe as crianças à psicoses e esquizofrenia.

Entre as publicações mais recentes figura o trabalho das doutoras Geliner-Ortigues e Aubry, descrevendo detalhadamente o caso de Paul E., de 18 meses de idade, que foi recebido num estado de grande desnutrição, com surdez de origem psíquica e acentuado atraso de desenvolvimento explicáveis pela privação do tratamento carinhoso maternal, e que ao receber este trato dos terapeutas, melhorou com grande rapidez tanto do ponto de vista físico, quanto psíquico.

A relação maternal carinhosa, (relação mãe/bebê sadia), determina uma estabilização emocional que favorece o desenvolvimento fisiológico e psicológico normal da criança, constitui-se numa fonte de segurança que ajuda-a a re-estabelecer o equilíbrio alterado pelos traumatismos psicológicos da vida cotidiana, treinando-a a suportar as agressões psicológicas no futuro, tornando possível o processo educativo, e ao mesmo tempo, proporciona oportunidades para que a criança desenvolva associações e reflexos condicionados, que lhe permitirão estabelecer relações com as outras pessoas no futuro, com os benefícios decorrentes.

Bibliografia 13 – Spitz R. A.: Hospitalism. The Psychoanalyt. Stud. Of the Child. I, 1945. 14 – Spitz R. A.: Anaclitic Depression. The Psychoanal. Stud. Of the Child. II, 1946 15 – Spitz R. A.: New York Times. April 27, 1952. 16 – Ribble, M. A.: Disorganizing Factors of Infant Personality. Am. J. Psychist, 98, 1941 17 – Mahler, M. S.: On Child Psychoses and Schizophrenia. The Psychoanalyt. Stud. Of the Child. VII, 1952. 18 – Bellack, L.: Toward a Unified Concept of Schizophrenia. J. Nerv. And Ment. Dis. 121: 60-66, 1955.

Tradução do livro de Solovey y Anatol Milechnin, G.: El Hipnotismo de Hoy, Buenos Aires 1957 por Joel Antunes dos Santos, Psicólogo, Psicoterapeuta.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *