Condicionamento

É muito importante ficarmos atentos a comportamentos, pensamentos e atitudes repetitivas. O condicionamento é causado exatamente pela repetição de comportamentos, não importando se são neutros, prazerosos ou sofridos. O condicionamento provoca repetição de atitudes e comportamentos que são desencadeados a partir de algum gatilho, ou estímulo visual, auditivo ou cinestésico. O condicionamento pode se estabelecer através de comportamentos, pensamento e atitudes repetitivas, sem o percebermos, ou até mesmo que estejamos atentos.

Basta que haja a repetição com uma determinada freqüência. Depois do condicionamento estabelecido, nos tornamos dependentes dele. Em geral, o condicionamento nos aprisiona mesmo quando o resultado é sofrimento. Depois de condicionados, repetimos comportamentos, e essa repetição reforça o próprio condicionamento, criando um círculo vicioso.

O se dar conta de que se está condicionado é o primeiro passo para a libertação, desde que a pessoa queira. Os animais irracionais são condicionáveis e também podem ser condicionados. O condicionamento de humanos e animais irracionais acontecem num espaço de tempo parecido, ou seja: ambos se condicionam com relativa facilidade. A grande diferença observa-se no descondicionamento. Enquanto os animais se descondicionam rapidamente, nós, humanos, temos uma dificuldade imensa de nos descondicionar. Há um relato que ilustra bem isso.

”Construíram dois labirintos; um pequeno para ratos e colocaram queijo no final do labirinto, e outro, enorme, para seres humanos, onde colocaram notas de cinco dólares. Quando condicionaram homens e ratos para encontrarem os estímulos respectivos, perceberam que o tempo para tal foi equivalente. No entanto, quando retiraram o queijo e as notas de US$5,00 dos labirintos, notaram que rapidamente os ratos pararam de entrar no labirinto deles. E quanto aos humanos? Continuam até hoje, indo ao labirinto em busca de notas de US$5,00”.

(É uma pena que essa historinha tenha sido plagiada e transformada num livro com o nome de “Quem mexeu no meu queijo”. Nada haveria de mal, se o seu “autor” tivesse citado a origem dela que se encontra no livro “Sapos em Príncipe”, de John Grinder e Richard Bandler. Lá está na última capa, o relato da história acima.)

Pode ocorrer também condicionamento quando o comportamento elicia algum ganho secundário. O ganho secundário é caracterizado por comportamentos que mesmo impondo limitações e sofrimentos à pessoa, e esses sofrimentos proporcionam-lhe algum tipo de ganho: atenção das pessoas, carinho, ajuda, companhia, afeto, etc.

Freqüentemente a pessoa não se dá conta disso e chega até a procurar por psicoterapia ou análise, mas, em geral, tanto uma quanto outra se mostram inócuas quanto a resultados, em função de ganhos secundários. Nesses casos, torna-se necessário trabalhar primeiramente os ganhos secundários do cliente, para que a psicoterapia possa se constituir numa ajuda efetiva.

Nos relacionamentos de amizade, namoro, noivado e casamento, o condicionamento também está presente e é confundido com outros vínculos estabelecidos. Por isso, quando há rompimentos desses vínculos, é importante nos lembrarmos de que o condicionamento é um dos causadores do sofrimento.

Numa relação afetiva de namoro, por exemplo, existem cinco ou mais forças (vínculos) que agem em conjunto: o amor, a libido, o condicionamento, o duplo vínculo e os ganhos secundários, sem falarmos nas características complementares. Em relação a essas últimas, elas se caracterizam, por exemplo, em um ter aptidões para a liderança e o outro para ser liderado; um é mais introvertido e o outro, extrovertido; um mais emotivo e o outro, mais racional; um é mais explosivo e o outro, mais calmo, etc.

Para nos descondicionarmos, é necessário identificar e reconhecer o condicionamento, para depois agirmos de forma a nos livrarmos dele. Isso exigirá consciência, mudança das atitudes, pensamentos e comportamentos condicionantes, quebra dos padrões preestabelecidos e construção de uma forma melhor, diferente e mais sadia de lidarmos com aquela realidade ou situação.

“Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões. Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que Neuróbica, a “aeróbica dos neurônios”, é uma nova forma de exercício cerebral, projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro”.

Você pode se descondicionar, pensando e agindo diferentemente do habitual. Criando jeitos diferentes de fazer as coisas, por exemplo: mudando o trajeto, invertendo fases, trocando de mãos para escrever ou digitar, fazendo algo ao contrário, etc. Exemplo de exercícios da Neuróbica que podem contribuir também para o descondicionamento:

  • Use o relógio de pulso no braço direito;
  • Escove os dentes com a mão contrária à de costume;
  • Ande pela casa de trás para frente;
  • Vista-se de olhos fechados;
  • Estimule o paladar, coma coisas diferentes;
  • Veja fotos de cabeça para baixo;
  • Veja as horas num espelho;
  • Faça um novo caminho para ir ao trabalho;
  • Troque o mouse de lado;

Repetindo comportamentos desejáveis, você pode quebrar condicionamentos e criar novos hábitos. Há casos em que uma psicoterapia pode ser a melhor ajuda.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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