Conceito de Cura

O ser humano se reproduz e se desenvolve de forma a não apresentar doenças. As que o acometem, excluídas as de predisposições genéticas, têm origem nos maus hábitos alimentares, no meio ambiente, nos comportamentos inadequados, nos acidentes, no uso inadequado de medicamentos, no uso adequado de medicamentos, mas que produzem efeitos colaterais, nos transtornos psíquicos, em origens ocupacionais, na falta de informação e conhecimento e há até aquelas devidas à irresponsabilidade, à falta de autodisciplina e bom senso.

Quando ocorre qualquer distúrbio ou lesão em alguma parte ou órgão do corpo, o próprio corpo (corpo entendido como mente, corpo e espírito) desencadeia as defesas orgânicas necessárias para o retorno ao equilíbrio (cura).

Com base nesses princípios, podemos afirmar que nenhum médico cura, nenhuma medicação cura, nenhum psicólogo cura. Tanto esses profissionais quanto os medicamentos, conhecimentos e tecnologias dessa área são auxiliares do corpo. O corpo, sim, se cura. O princípio vital ou de vida está no organismo vivo; não nas coisas.

Imagine uma situação em que uma equipe médica faz um transplante bem sucedido. Um órgão gravemente lesado é substituído por outro sadio. Se o corpo desse paciente tiver perdido as suas capacidades de coagulação do sangue, de revascularização, de cicatrização, de regeneração dos tecidos, de exercer o reequilíbrio químico, orgânico, fisiológico e, se tiver perdido as defesas do sistema imunológico, não haverá remédios ou médicos que sejam capazes de “curar” essa pessoa.

A tecnologia, os medicamentos e os profissionais da área da saúde são auxiliares do principio vital e da capacidade de auto cura do corpo biológico.

O mecanismo de funcionamento da vacina ilustra essa tese. Através da sua aplicação, provoca-se uma reação no sistema imunológico, para que este produza anticorpos de combate a determinado vírus. Aquele corpo torna-se, então, imune àquele vírus. Esta auto-capacitação de produção de anticorpos é que, de fato, protege, defende o corpo. O antibiótico, por exemplo, não mata as bactérias. O que ele faz é impedi-las de se reproduzirem além da capacidade de reação do próprio corpo.

Se os médicos, os psicólogos e os remédios curassem, ninguém morreria senão por velhice. Conceitos contrários a essa constatação são passados, veiculados de forma ideológica e pouco sadia. É necessário que exerçamos nossa capacidade de raciocínio para desmitificarmos idéias ultrapassadas e tão perniciosas quanto a superstição e a desinformação.

Os profissionais da saúde são imprescindíveis para a prevenção e combate às doenças, lesões, somatizações e merecem todo o nosso respeito e admiração, porém, deixemos os mitos de lado.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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