Coisa Cura com Coisa

Há um crescente número de pessoas que procuram os consultórios de psiquiatria, na busca por tratamento para problemas de comportamento, problemas emocionais, de relacionamento, afetivos, psíquicos e de vidas desajustadas produzidas pela desinformação, pela deseducação e até pela carência de princípios e noção de transcendência.

Obviamente que doenças orgânicas como lesões no sistema nervoso central e periférico, indicam a intervenção de um neurologista e as doenças mentais graves e mórbidas, há que se recorrer à psiquiatria na busca do equilíbrio possibilitado pela utilização da química através das medicações.

Para os problemas psíquicos (emocionais, afetivos, de relacionamento) e de comportamento, o tratamento deve ser com o psicólogo psicoterapeuta, ou com o psicanalista.

Há casos em que o tratamento coadjuvante medicamentoso é por vezes necessário, para auxiliar o tratamento psicoterápico ou psicanalítico e vice versa.

O que não se deve fazer é misturar as coisas promovendo inversões que podem produzir prejuízos e sofrimentos para as pessoas. Tratar problemas comportamentais, de relacionamento, afetivos e emocionais com a utilização da química é um contra-senso. Do mesmo modo que é contra-senso, tratar problemas físicos, orgânicos, (problemas médicos) com psicoterapia ou psicanálise.

Necessário se torna fazer-se uma ressalva. Para a OMS, a maioria das doenças, podem ser enquadradas como psicossomáticas, ou seja, têm causas psíquicas. O importante é o discernimento dos profissionais da área da saúde para identificar uma coisa ou outra e indicar o tratamento adequado. Podemos chamar a isso de senso crítico, responsabilidade, ética ou de profissionalismo. O cliente que é leigo deve ser informado disso.

Como também, é importante nos lembrarmos do que afirmou o Dr. J. A. Hadfield, um dos mais notáveis psiquiatras da Inglaterra: “Estudioso de psicoterapia, não tendo como tal, ligações com a teologia, estou convencido de que a religião cristã exerce uma das mais poderosas influências no sentido de estabelecer harmonicamente a paz de espírito e confiança interior de que carece a grande maioria dos doentes nervosos, na reconquista da saúde e do vigor.”

Os princípios preconizados pela filosofia cristã são base segura para a construção de conceitos e orientação da conduta de forma ética, honesta, responsável, justa e segura. A filosofia cristã tanto pode orientar de forma sadia o relacionamento e o comportamento humano, quanto contribui para a sua evolução espiritual.

Em síntese, se uma pessoa apresenta um problema físico, uma infecção nalguma parte do corpo por exemplo, deve procurar o médico que prescreverá um antibiótico ou seja, uma substância física (medicação) para tratar aquele problema: coisa cura com coisa.

Quando alguém está com problemas psíquicos, afetivos, de comportamento, de relacionamento ou emocional deve procurar ajuda na psicoterapia ou na psicanálise: coisa cura com coisa. Se os problemas se manifestam relacionados ao lado espiritual, deve-se buscar apoio e ajuda na religião ou nos religiosos que saberão como orientar a pessoa na busca do seu reequilíbrio e paz de espírito: coisa cura com coisa.

Atualmente doenças como a ansiedade, o estresse e a depressão são muito comuns, frutos da agitação da vida moderna onde a tecnologia e a busca de realização profissional fomentam a aceleração das ações e a competição na busca do sucesso e da felicidade, através do ter, em detrimento do ser. Essa nova ordem leva as pessoas para fora de si provocando o que em psicologia se chama de dissociação. Os fatores externos passam a ser as referências e ditam os novos comportamentos orientados para o consumismo. Tudo isso aliado ao ritmo frenético da evolução tecnológica, promovem no indivíduo uma alienação que leva à solidão. E a maior solidão é a de si mesmo. Quando ele se volta para dentro, não encontra paz e serenidade no recolhimento.

Outros transtornos como: ansiedade, pânico, depressão, insônia, fobias, traumas, inibição, agorafobia, anorexia, bulimia, limitações do comportamento, estafa, transtorno bipolar, problemas de relacionamento, amnésia alcoólica, distúrbios nervosos como tiques e transtorno obsessivo compulsivo, stress, somatizações, etc. devem ser tratados pelo psicólogo ou psicanalista através de psicoterapia ou da psicanálise.

O profissional da área da saúde que trata doenças mentais graves (psicoses) é o psiquiatra. Ele pode através de tratamento medicamentoso, prestar ajuda ao doente mental. Ao psicólogo é vedado prescrever medicamentos.

Portanto, é fundamental que os profissionais tanto médicos quanto psicólogos e psicanalistas, repassem informações aos seus clientes, no sentido de poder ajudá-los nas suas escolhas e condução do tratamento adequado.

É importante que o cliente também saiba que coisa cura com coisa. Mais ainda: é importante que o cliente saiba que médicos psicólogos, psicanalistas e remédios, não curam. Prestam ajuda à sua unidade corpo, mente espírito, que é que de fato, promove a cura.

É importante discernirmos o óbvio e sabermos que coisa cura com coisa!

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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