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Amor Responsável

Atualmente a sociedade, as famílias e especificamente os pais têm cometido equívocos na educação dos filhos. Embora sejam responsáveis por esses equívocos, é necessário dizer que as intenções deles são boas, salvo raras exceções patológicas. E, se agem inadequadamente na educação de seus filhos, isso se deve à desinformação e à falta de conhecimentos das áreas da Psicologia, da Psicanálise, da Sociologia e da Filosofia. Para que os pais se orientem, necessitam de conhecimentos que possam ser luz na compreensão do conceito de homem, família, comportamento, relacionamento, afetividade, emotividade, moral, civismo, religião, crença, etc., ou tendo consciência de que, para educar, é necessário o estabelecimento de limites, balizados pelo reforço e punição. De qualquer forma, para se dar limite, há que se ter limite. Ninguém dá o que não tem.

O conhecimento relacionado às profissões e à preparação técnica para o mercado de trabalho é suprido pelas escolas, faculdades e universidades, mas, no que se refere à educação, é falho. E não existem instituições que ajudem as pessoas nessas áreas. Existe alguma preocupação das autoridades quanto à educação familiar? Não. O que há é uma preocupação com o ensino aliado à crença de que escola educa. Mas acontece que instruir é uma coisa, e educar é bem outra.

Urge que os profissionais da área escolar, a sociedade, as autoridades e a mídia desfaçam o mito de que escola educa. É fundamental que os pais tomem consciência de que somente eles podem educar. Que assumam a responsabilidade de algo que somente eles podem e têm prerrogativas para promover.

Podemos mesmo afirmar que os elevados níveis de violência têm como causa fundamental a educação permissiva. Hoje as crianças podem tudo, e os pais é que são comandados por elas. Há pais que amam tanto aos seus filhos que suprem não só as necessidades, mas também todas as vontades deles. Pensam que dar tudo o que os filhos querem, impedindo que sofram, poupando-os de frustrações é a melhor educação que podem lhes proporcionar. Pensam e desejam dar a eles, filhos, a educação que não tiveram, ou seja, uma educação isenta de sofrimentos. Não conseguem perceber que a educação que não tiveram é também aquela que não educa. Pior que isso: mais que um processo que deseduca, desprepara os filhos para a vida. Essa atitude é própria dos pais que agem apenas e somente com o coração, deixando a razão à margem desse processo.

Os resultados são desastrosos e irreversíveis. Culminam sempre com o sofrimento terrível causado às criaturas que mais amam. Os pais que conduzem suas famílias dessa forma estão cheios de boas intenções, porém estão comportamentalmente equivocados. Esse tipo de educação permissiva é o que se constitui amor irresponsável. É claro que, se os pais agem dessa forma, é porque lhes faltam muitas informações e acreditam em lendas. Tanto as crenças quanto as lendas podem orientar e determinar comportamentos.

Existem crenças que são limitadoras e antieducativas, veiculadas na mídia, nos livros e nas histórias ditas “educativas”. Aparentemente são educativas, mas fazem exatamente o contrário: passam informações falsas e essas são assimiladas como verdades. Filhos, aos quais não foram dados limite e punição e não foram devidamente educados, quando chegam à idade adulta, não tendo respeito pelos pais, também não respeitarão professores, chefes, patrões, policiais nem pessoas e autoridades.

A falta da introjeção do conceito de limite, ou seja, a falta de limites causa-lhes também, por conseqüência, a chamada angústia existencial. É a “patologia” caracterizada pelo sofrimento do adulto que não “cresceu” psicologicamente, que não aprendeu a lidar com frustrações. Quando atinge a maioridade, depara-se com as dificuldades naturais da vida. Como faltam-lhes os recursos proporcionados pela boa educação (recursos interiores), essas frágeis pessoas freqüentemente buscam alívio no álcool e nas drogas. Os novos hábitos e costumes estão levando à desagregação das famílias e, por conseqüência, da sociedade, que ainda não se deu conta de que esse estado de coisas levará ao caos social. Se é que já não estamos nele.

A violência assola o nosso país e suas causas são a deseducação; falta de instrução moral, cívica e religiosa; pessoas vivendo como animais, abaixo da linha da pobreza; concentração de renda; desintegração da família; mídia irresponsável; sociedade apática a tudo isso; conhecimento elitizado, etc.

Muito há o que fazer, mas é um fazer extremamente complexo e que depende de muitas ações simultâneas, coordenadas e continuadas, envolvendo um pacto social e as ações de todos os segmentos da sociedade.

O tempo urge. Que os pais se preparem ou sejam preparados para exercerem suas funções de forma responsável, dando aos seus filhos proteção, instrução e limites. Que continuem morrendo de amores pelos seus filhos, porém amando-os responsavelmente.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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A Importância do Toque

A Importância do Toque”O toque é tão importante quanto a própria vida”. Em um experimento bárbaro e atroz do século 13, o imperador alemão Frederico II queria saber que linguagem e que palavras as crianças falariam caso fossem criadas sem ouvir uma única palavra que fosse.

Ele tirou um certo número de bebês de suas casas e os colocou com pessoas que os alimentavam mas tinham instruções rigorosas de não tocar, não fazer carinho, nem falar com eles. Os bebês nunca disseram uma única palavra.

Todos morreram antes de poder falar. Ainda que o experimento de linguagem tivesse sido um fracasso trouxe uma descoberta importante: O toque é essencial à vida.

Salimbene, um historiador da época, escreveu sobre o experimento em 1248: “Eles não puderam viver sem carinho”. Essa descoberta valiosa foi redescoberta infinitas vezes e, mais recentemente, nos anos 90, na Romênia, onde milhares de crianças asiladas viveram sem ser tocadas, algumas vezes por anos a fio. Estudos de PET (parecidos com os estudos de SPECT) em um determinado número dessas crianças abandonadas exibiram um decréscimo geral considerável na atividade do cérebro inteiro.

O amor entre os adultos é similar. Para que ocorra uma formação de elo adequada, os casais precisam se abraçar, se beijar, se tocar e manter olhares afetuosos. Não basta que um lado dê e o outro receba passivamente. Manifestações físicas de amor precisam ser recíprocas, caso contrário o outro parceiro se sente ferido e rejeitado, o que acaba fazendo com que o elo se desfaça. (Transcrito do livro: Transforme Seu Cérebro, Transforme Sua Vida de Daniel G. Amen, M.D. Editora Mercuryo Ltda.)

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Aos Nossos Jovens… Futuros Cidadãos

Indignação, repulsa, choque… Mas por que tudo isso? Por que tanta revolta com cinco jovens de classe média, que queimaram vivo um ser humano? Afinal, foi apenas uma brincadeira, “coisa da juventude”

Essa brincadeira foi apenas uma conseqüência. Esses jovens são apenas um produto. Eles são o que os adultos fizeram deles: inconseqüentes, sem limites, confiantes na impunidade.

Essas tragédias são sempre a última etapa de um processo.

Respeito às leis e aos outros, a responsabilidade, a formação do caráter, não aparecem da noite para o dia, como um “toque de varinha de condão”.

A educação de um cidadão começa lá atrás, quando criancinha. Isso mesmo, há anos atrás.

Quando ele chutava a mãe, a tia, a professora, quando jogava objetos na empregada, nos coleguinhas, “tudo era coisa de criança”.

Conversa, diálogo, com essa criança? Não havia necessidade, “isso passa com o tempo”.

E o tempo realmente passou e com ele chegou a adolescência… que também passará. Mas antes, o adolescente chegará à sua casa com jaquetas, tênis de griffe, relógios importados, CDs, e ninguém lhe perguntará quem lhe deu esses presentes e, se perguntarem, aceitarão, com facilidade, a resposta “meu colega me emprestou”.

Se chega de madrugada, nos fins de semana, ouve apenas um sermão, e poderá responder: “mas vocês também chegam…”

“Se é o carro da família que se espatifou em um “pega”, a primeira providência é limpar o nome na polícia. O sobrenome, a influência política, vão livrá-lo rapidamente da sala do delegado.

E a Escola, o que faz por ele? Pouca coisa. Hoje O ALUNO PODE TUDO, OU QUASE TUDO. As leis estão aí para “ampará-lo”. Se é reprovado ou expulso da Escola – porque pôs uma bomba no banheiro – as liminares aparecem rapidamente para “repararem a injustiça que os professores cometeram”. Se é repreendido pelo professor durante a aula, no dia seguinte ouviremos: “não admito que falem assim com o meu filho. Ele não mente”. Isto é, o mentiroso é o professor.

Se as notas estão ruins, a transferência para outra escola, que não o reprovará, é feita da noite para o dia.

Depois de conviver com esse tipo de educação, com essa permissividade, o que queríamos? Adultos responsáveis, corretos, de bom caráter?

Exigir do jovem respeito humano, amor ao próximo, como? Nós não lhe ensinamos isso!

Ouvimos e estamos sempre dizendo: “os jovens de hoje não têm limites”. Não têm mesmo. Mas não têm por nossa culpa, nós, pais, que também não sabemos lidar com nossos limites. Eles não perderam os limites. Ninguém perde o que não tem.

O limite é o primeiro passo daquele processo de que falei acima. O ponto de referência é o segundo. Os outros passos virão com o amor, o carinho, o diálogo, o não firme, na hora certa e, principalmente, com o exemplo.

Portanto, esses jovens de Brasília fazem parte da pobre sociedade brasileira que não cuida das suas crianças, dos jovens e, depois, quer cidadãos de primeira qualidade.

A sociedade é construída por nós mesmos.

E Brasília, bem… Brasília é o reflexo da nossa sociedade, que rejeita, que exclui, que ignora o pobre, o miserável, produtos também dessa mesma sociedade.

Wania Costa Monteiro de Castro – Coordenadora do Ensino Médio do Colégio Sta. Dorotéia

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Comendo Lagartixa

Comendo LagartixaA pobre mãezinha levou o filhinho ao psicanalista porque ele era incapaz de comer qualquer coisa. Ou coisa alguma. Só gostava de comer o impossível. O psicanalista examinou o crescimento mental do menino e recomendou à mãe (dele) que não forçasse o menino a comer o que ele não gostasse.

Percebia-se nitidamente que era um jovenzinho de formação extravagante a quem se deveria oferecer apenas pratos ímpares. Assim foi que a mãezinha, muito da psicanalítica, chegou em casa e perguntou ao filhinho o que é que ele gostaria de comer. O menino nem titubeou. Disse logo: -“Uma lagartixa”.

Com grande repugnância e não menor dificuldade, a mãe(zinha) conseguiu caçar uma lagartixa e deu-a ao menino. O menino olhou a lagartixa com igual ânsia, um olho pra cá, outro pra lá, os dois olhos parando lá em cima e exclamou:

“Come vuoí, mamma, que io mangi questa porcheria cosí cruda senza ne meno il doppio burro?” – ou seja: “Como é que a senhora pretende que eu coma essa porcaria assim crua: não tem sequer manteiga dupla?” A mãe, sempre mãe, e mais mãe porque psicanaliticamente orientada, pegou a lagartixa, pô-la na frigideira e fritou-a como o menino desejava.

– Está bem agora? – perguntou ao menino. – Não – respondeu a peste , – parte ao meio.

A mãezinha tão Kleiniana, coitada!, fez o que o menino mandava. O menino olhou a mãezinha, a mãezinha olhou o menino, o menino mexeu um olho, a mãe baixou a cabeça meio centímetro, o menino mexeu o outro olho, a mãe voltou com a cabeça à posição anterior e aí o menino impôs:
– Eu só como a lagartixa se a senhora comer metade. – Então come que depois eu como – disse a mãe. – Não, você tem que comer primeiro – disse o menino.

A mãezinha sentiu uma golfada de nojo, mas, que ia fazer?, mãe é mãe e, além do mais, ela tinha tantas raízes Iunguianas! Fechou os olhos e, para não sentir, com um gesto rápido, jogou metade da lagartixa dentro da goela, engoliu. O menino olhou-a firme, olhou a metade da lagartixa dentro da frigideira e começou a chorar: -“Buaá, uaá, uaá!… A senhora comeu exatamente a metade que eu gosto. Essa daí eu não como de jeito nenhum.”

Dizem alguns historiadores que a mãe deu uma surra no garoto. Mas há “psicólogos e psicanalistas” que desaprovam a atitude da mãe “por não saberem o que causaria na infância, esses choques físico-morais provocados por surras”. Por isso, as mães modernas preferem comer lagartixas!

Autor desconhecido

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As Meninas Lobo

Na Índia, onde os casos de meninos-lobo foram relativamente numerosos, descobriram-se, em 1920, duas crianças, Amala e Kamala, vivendo no meio de uma família de lobos. A primeira tinha um ano e meio e veio a morrer um ano mais tarde. Kamala de oito anos de idade, viveu até 1929. Não tinham nada de humano e seu comportamento era exatamente semelhante àquele de seus irmãos lobos.

Elas caminhavam de 4 patas apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para os pequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os trajetos longos e rápidos. .

Eram incapazes de permanecer de pé. Só se alimentavam de carne crua ou podre, comiam e bebiam como os animais, lançando a cabeça para a frente e lambendo os líquidos. Na instituição onde foram recolhidas, passavam o dia acabrunhadas e prostradas numa sombra; eram ativas e ruidosas durante a noite, procurando fugir uivando como lobos. Nunca choraram ou riram. .

Kamala viveu durante oito anos na instituição que a acolheu, humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para aprender a nadar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de 50 palavras. Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos. .

Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente às pessoas que cuidaram dela e às outras crianças com as quais conviveu. .

A sua inteligência permitiu-lhe comunicar-se com outros por gestos, inicialmente, e depois por palavras de um vocabulário rudimentar, aprendendo a executar ordens simples.

Reymond, Le developpement social de l”enfant et de l’adolescent, Bruxelas, Dessart, 1965, p. 12-14, apud C. Capalbo, Fenomenologia e ciências humanas, Rio de Janeiro, J. Ozon Ed., p. 25-26.) .

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Textos de Outros Psicólogos

O objetivo desta página é informar aos internautas que visitam o nosso site, sobre outros profissionais e suas respectivas abordagens, facilitando o contato para aqueles que necessitem e queiram procurar ajuda junto a um profissional da área.

Se você é Psicólogo Psicoterapeuta, ou Psicanalista, envie-nos o seu nome completo, CRP, a abordagem ou orientação do seu trabalho, como por exemplo: Psicanalista Freudiano, Psicoterapeuta da Gestalt, Psicoterapia Analítica, Psicoterapeuta Existencial Humanista Rogeriano, Psicanalista Lacaniano, Psicoterapeuta Sistêmico, de Família, etc.

Editaremos seu nome, registro no Conselho Regional de Psicologia, sua abordagem e seu e-mail para contato e a cidade em que trabalha para que as pessoas possam contatá-lo(a).

No caso de uma entidade, (clínica por exemplo), citar o nome e o registro no Conselho Regional de Psicologia do seu responsável e também a cidade onde se localiza e o e-mail para contato.

No link E-mails de Outros Profissionais, é onde serão divulgados os dados dos profissionais citados acima.

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O que temos feito pela cidadania?

Atualmente, quando se fala em cidadania, fica parecendo que cidadania é uma fruta que dá numa árvore silvestre. Basta ir até lá e colhê-la.

A coisa não é bem assim. Cidadania é um processo. Ninguém nasce geneticamente programado para ser cidadão. Se não plantar e cuidar, não se colhe. Se não educar…

O regime militar implantado no Brasil em 64, provocou uma reação nos formadores de opinião, e isto redundou uma mudança pontual e radical no ensino de Moral e Cívica. A disciplina foi menosprezada e varrida dos currículos escolares e passou erroneamente a ser vista como uma ideologia do regime.

Hoje quando se fala em cidadania, não se tem consciência do que isto significa.

Como formar cidadãos sem se disseminar as noções de cidadania?

Como colher sem plantar?

Cidadania, hoje, é um enorme vácuo entre a fala e a realidade. As instituições e pessoas que ocupam posições de liderança política e social sabem da importância e querem que o povo seja cidadão. Mas como colher sem plantar?

As escolas antigamente preservavam atividades voltadas ao desenvolvimento do conceito e do exercício da cidadania tais como:

  • Aulas regulares de Moral e Civismo;
  • Comemorações, com participação dos alunos de Ensino Fundamental e Médio em desfiles, nas datas cívicas.

Por décadas, tudo isso ficou proibido. As escolas de todos os níveis abdicaram dessa função de fomentadoras e incubadoras da noção e conceito de cidadania e se limitaram apenas a falar sobre o tema. Daí cidadania virou um vazio.

Todos acham (incluindo as autoridades) que moral e civismo deveria fazer parte dos currículos escolares, mas isso apenas em tese. Na prática, quase nada foi feito.

Essas mudanças não geram custos adicionais, pois a estrutura escolar básica, o seu sistema de transporte e o corpo docente já estão implantados e em pleno funcionamento. Os custos adicionais seriam iguais a zero e os ganhos, incomensuráveis!

O prefeito da maior cidade brasileira, Gilberto Kassab, baixou um decreto municipal, tornando obrigatório em todas as escolas do município de São Paulo, o ensino de Moral e Civismo.

É necessário e urgente que pessoas que ocupam cargos com poder de promover mudanças atuem se espelhando no exemplo do Prefeito Kassab, fazendo com que noções de cidadania e civismo voltem a fazer parte dos currículos escolares.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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A fome mata?

É impressionante como a mídia, as instituições, os políticos e nós, pessoas comuns, exageramos as coisas. Chegamos mesmo a distorcer os fatos, dramatizando tanto, a ponto de fazermos de algo, perfeitamente saudável e natural, verdadeiro terrorismo. Cometem-se tantos equívocos e fala-se cada bobagem! Chegam a dizer que a fome mata uma enorme quantidade de pessoas, tanto no Brasil quanto no mundo. E não ficam só na fala: levantam-se dados estatísticos com números alarmantes; fotografam-se crianças e adultos famintos, pele e ossos, olhos fundos, fisionomias envelhecidas, verdadeiras carcaças ambulantes.

Essa é uma das mais deslavadas mentiras. Nós nos deixamos influenciar tanto pela mídia todo-poderosa e onisciente, que vamos aceitando os paradigmas, as “verdades”, as abordagens unilaterais e diretivas e nem pensamos mais. E, se não pensamos, quando e como questionar? Questionar o quê? Que a fome mata? Mas isso não é público e sabido? Questionar o óbvio?

Apesar desse “óbvio”, precisamos exercitar nosso senso crítico,questionar paradigmas e “verdades absolutas” como essa.

Somos levados a crer que a má distribuição da renda nacional, as políticas neoliberais globalizantes, as elites minoritárias que se perpetuam no poder, distanciadas da realidade, os assaltos aos cofres públicos, os desvios de verbas, a má administração do dinheiro público, nada disso provoca miséria e, se provocasse, não teria tanta importância, pois o que mata é a fome! Sabemos que a soja é o mais rico e completo alimento que há, e que o nosso país é o seu segundo maior exportador mundial, mas é a fome que mata!

Ora, a fome é um recurso orgânico, fisiológico e natural. Não mata – pelo contrário, preserva a vida – é um bem precioso e saudável. Estimula o organismo a buscar os alimentos e obter as energias necessárias para suprir suas necessidades, visando à sua saúde e ao seu equilíbrio orgânico. O que mata não é a fome: é a miséria, a injustiça social, a falta do que comer, a falta do alimento.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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A Magia do Dinheiro

O dinheiro é síntese de riqueza. Ele é qualquer objeto, coisa, serviço ou bem condensado. Ele é mágico, do ponto de vista do poder que tem de ser transformado em qualquer coisa comercializável, seja bem ou serviço. Ele é riqueza, gera empregos, bens de consumo, saúde, lazer, educação, cultura, evolução. Mas para tal, ele precisa fluir, circular. Parado ele empobrece, não cresce, não gera o bem.

Precisamos lidar com o dinheiro com todo o respeito que ele merece. Ele é seiva que circula, é processo que pode produzir bons frutos para todos que o mantenham no seu curso, fazendo-o circular de forma sadia. Se uma pessoa economiza, investindo na caderneta de poupança, em fundos e investimentos no mercado de ações, ou abrindo um negócio ou fábrica, não o está guardando ou estagnando. Assim ele estará investido e continuará gerando empregos, bens de consumo, lucro e riqueza.

Quando alguém compra uma casa com o dinheiro que tem, não o estagnou. A casa não é dinheiro, é bem. Ela é construída e tem um valor equivalente ao trabalho e materiais nela empregados. O dinheiro que gerou essa casa passa para as mãos de outra pessoa, com o mesmo poder de gerar outra casa e, assim, sucessivamente.

O dinheiro em circulação flui, produzindo riquezas por onde passa. Ele, em si, não é bom nem mau. O uso que damos a ele é que pode nos dar essa ilusão. Por exemplo, o desperdício e o consumismo são formas irresponsáveis de lidarmos com essa energia. Se atrasarmos ou não pagarmos nossas dívidas, ou não nos empenharmos em receber aquelas das quais somos credores, também estaremos usando inadequadamente o dinheiro, estagnando-o. Se o fizermos circular, alimentando e mantendo o seu processo, estaremos fazendo um bom uso dele, para nós e para a sociedade.

O dinheiro é seiva que produz riqueza por onde passa. Circulando, ele enriquece; parado ele empobrece.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG

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Cegueira Virtual

Pior cegueira é a cegueira fisiológica, real quando o indivíduo é concebido cego ou se torna cego depois. Mas existem muitos outros tipos de cegueiras virtuais, talvez não tão terríveis quanto aquelas.

Existe a cegueira histérica explicada por Freud como histeria de conversão; existe a cegueira social do cidadão que não percebe que a sociedade brasileira já está em meio a uma guerra civil e que os rumos e os modelos de convivência social precisam ser mudados na direção de um modelo melhor.

Há a cegueira política que impede as pessoas de enxergarem que os políticos, com raras exceções, estão sempre legislando em causa própria ou defendendo interesses das elites que os elegeram.

Há também a cegueira religiosa que ainda é alimentada pelo sectarismo paradoxalmente anti-cristão das religiões, impedindo a todos os cristãos de enxergarmos que já somos um só rebanho (cristianismo), e temos um só Pastor (Jesus Cristo).

Há ainda a cegueira científica que deveria oferecer menos resistência à quebra dos próprios paradigmas que muitos cientistas transformam em dogmas.

Existe também a cegueira educacional que impede às famílias e à sociedade de assumirem a responsabilidade de, de fato, educarem seus filhos, sem a ilusão de poder transferir essa função à escola, a quem cabe apenas instruir, resultando esse grande equívoco, no principal vetor que, somado a outros políticos, sociais e econômicos, contribuem para a deseducação e proliferação da violência que atinge a todas as camadas sociais.

Existem muitas outras cegueiras virtuais. É preciso vigiar para que as nossas, não nos impeçam de vermos através das lentes do questionamento ecológico, estético, moral, político, ideológico, educacional, humanístico e psicológico e nos impeça de agirmos porque o ver, casado com o fazer é transformador; divorciado é estéril.

Joel Antunes dos Santos – psicólogo, psicoterapeuta
Pós-graduado em Psicologia Médica pela UFMG